Total de visualizações de página

sábado, 21 de julho de 2012

Ideia # 45

Crônicas da Vida Fictícia: Uma Quarta-feira Qualquer
    
Arnaldo & Cidinha



Arnaldo chega do trabalho. Ele tira os sapatos, joga a maleta, o paletó e a gravata em cima da mesa de jantar. Ele se joga na sua poltrona favorita e pega o controle remoto, afinal de contas seu time favorito vai jogar naquela noite.  Sua mulher aparece na sala... Ela, ao contrário dele, está bem vestida e perfumada como se fosse sair para algum lugar. Ele olha para ela e pergunta:

- O que tem para o jantar? – Ele está faminto e começa a imaginar se aquela seria uma das noites em que sua mulher estaria inspirada na cozinha.
- Assim, bem eu estava pensando que a gente podia... Jantar no Shopping! – Ela sugeriu felicíssima com a idéia de não ter de cozinhar naquela noite.
- Shopping? Eu acabei de chegar da rua! – Ele pergunta já imaginando o estrago no bolso dele que aquela ida ao Shopping traria.
- Ah vamos? A gente aproveita e pega um cineminha... – Ela sugere e ele treme. Pegar um cineminha significa ter de se levantar de sua poltrona favorita, interromper o seu jornal favorito, ter de se arrumar depois de passar o dia todo engravatado e ainda por cima perder o jogo que vai passar depois da novela das oito.
- Por que a gente não vê um time na Tv a cabo? É tão mais aconchegante assistir filme em casa...
- Pode ser um DVD da minha coleção de comédias-românticas? – Ela pergunta toda entusiasmada e ele, sem ter outra saída, acaba concordando.
                Acabaram comendo mesmo uma pizza que estava no congelador. E em seguida começaram a ver o filme. No final do filme Cidinha começou a chorar sem parar.
- O que foi que houve?! – Ele perguntou sem entender.
- Esse mocinho idiota do filme passou a vida inteira decidindo se ia ficar com a mocinha ou não, quando decidiu ficar com ela, ela morreu atropelada! Uma vida inteira desperdiçada porque ele não sabia o que queria! E o pior de tudo é que você é igualzinho a ele... Totalmente indeciso! Quando for me dar valor, vai ser tarde, eu vou ter sido atropelada por um caminhão! – Ela disse e voltou a chorar.
- Era só o que me faltava! O personagem do filme faz suas besteiras e eu que pago por isso! Eu nunca fui indeciso! – Ele protestou.
- Ah não? E por que você passa horas decidindo qual o sabor do sorvete que você quer, hein? O sorveteiro até esquece que a gente está lá, isso sem falar que você me enrolou por sete anos antes de casar! – Ela disse voltando a se aborrecer.
- Eu não te enrolei, demorei para casar porque estava muito novo...
- Muito novo?! Arnaldo, quando eu te conheci você tinha 35 anos!
- Vamos mudar de assunto? Vamos deixar esse filme pra lá e assistir uma novelinha enquanto o jogo do timão não começa. – Ele sugere e começa beijá-la afim de convencê-la.
- Está bem, vamos.
                Os dois então começam a assistir a novela das oito. O bonitão da novela aparece e Arnaldo podia até jurar que Marilene suspirou discretamente. Aí foi a vez dele ficar impaciente.
- Não gosto desse ator... Trabalha mal... Só está na novela porque era modelo antes... Não tem competência nenhuma.
- Ele é um ótimo ator, eu até chorei na cena em que ele doou um rim para a mãe dele que estava doente... – Ela confessou.
                Arnaldo não gostava das novelas que passavam na TV, mas detestava os galãs. Eles nunca estavam despenteados, os dentes sempre brancos, sorriso digno de comercial de pasta de dente, e como eles eram perfeitinhos, chega irritava! Nenhum deles sequer assistia futebol ou jogava videogame, eles só viviam para a mulher amada, e depois que a novela terminava começavam as comparações. Era mocinho pra lá, mocinho pra cá e haja paciência.
                A novela terminou quando uma das mocinhas descobriu que o marido dela havia mentido para ela a novela inteira! Cidinha então virou-se para Arnaldo e disse:
- Eu não acredito que ele mentiu pra ela esse tempo todo! Eles faziam um casal tão perfeito! – Ela virou-se e perguntou: - Arnaldo, eu quero a verdade: Você tem alguma coisa pra me dizer?
- Não, não tenho.
- Fala a verdade, Arnaldo. Pode falar que eu agüento! – Ela avisou e ele começou a pensar em alguma coisa para confessar, caso contrário ela não iria parar nem tão cedo.
- Tá bom, tá bom, eu falo... Quando a gente estava namorando eu quebrei o gatinho de louça da sua avó Eudócia e coloquei a culpa no cachorro.
- Foi você?! Bem que a vovó Eudócia dizia ter certeza que você tinha quebrado o gato de louça dela! Ela morreu jurando que o Bidú não tinha nada a ver com aquilo! Bem, mas já que é só isso e a vovó Eudócia faleceu há oito anos, eu te perdôo. Vou ligar  para a Jéssica, saber das novidades!
                Ela anunciou e saiu da sala. Arnaldo sorriu aliviado, finalmente ia assistir o seu futebol. De repente Cidinha entra na sala e anuncia:
- Arnaldo, a Jéssica me contou que o Luís Henrique deixou a Marinete!  – Ela disse transtornada.
- Já sei: Ele roubou o dinheiro dela que nem o cara da novela! – Disse tentando advinhar.
- Não, ele fugiu com a secretária. A Marinete é tão legal, a Jéssica me disse que ela perdeu tanto peso com essa história...
- A Marinete sempre fez dieta, pelo menos conseguiu emagrecer... Ela é bonita, nova, daqui a pouco ela encontra outra pessoa! – Ele disse a primeira coisa que lhe veio à mente enquanto tentava ouvir a escalação do time.
- Grosso! Que insensibilidade com o problema dos outros! Quer saber vocês homens são todos farinha do mesmo saco! Eu vou dormir e não quero conversa hoje à noite! – Ela se levantou furiosa.
                Arnaldo também ficou furioso. O marido da Cidinha aprontava e ele era quem pagava o pato. Ele decidiu esquecer aquela história, afinal de contas o timão ia jogar.
                Cidinha, por sua vez, deitou-se para dormir. Tentou mas não conseguiu. Virou-se para um lado, virou-se para o outro e o sono não chegava. Lembrou-se do que Arnaldo lhe disse: “A Marinete é bonita, nova, daqui a pouco ela encontra outra pessoa”. E se o Arnaldo fosse consolar a Marinete e se apaixonasse por ela?!
                Arnaldo estava concentrado, assistindo o jogo quando viu Cidinha sentar-se ao seu lado:
- Oi. Deu saudade... Vim ver o jogo com você... Torcer pelo timão! – Ela disse meio sem graça. Ele a abraçou e sorriu, era bom saber que ela estava ali. Logo em seguida ele se levantou e gritou:
- É pênalti! É pênalti! 

Fim

Até a próxima ideia, 

Déa Accioly 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Ideia # 44

Coração de Adorador

"Meus irmãos considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por provações, pois a provação da sua fé, uma vez confirmada produz perseverança, afim de que sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma" Tiago 1:2-4

Coisa difícil é a tal da provação! Tudo está tão organizado, tudo está saindo como o planejado e, de repente, temos de lidar com o inesperado, com momentos difíceis, com problemas e dores que chegaram repentinamente. E e você fica imaginando se alguém chegou a anotar a placa do caminhão que te atropelou. 

O texto acima nos oferece muito mais do que palavras de consolo, ele nos oferece propósito em meio à provação. As provações existem afim de que sejamos maduros e íntegros, sem nos faltar coisa alguma. Se tivéssemos tudo o que desejássemos, se não tivéssemos lutas, se não houvesse dificuldades, nunca cresceríamos emocionalmente, nunca aprenderíamos a crescer com a frustrações, a nos fortalecer com os desafios. Seríamos eternos bebês emocionais, batendo o pé e fazendo birra até que nos fosse dado o que havíamos pedido. 

Dificilmente crescemos nos dias felizes. Muitas vezes são o sofrimento e as dificuldades da vida que nos fazem crescer, que nos fazem valorizar o que é de fato importante e descobrir que, ainda que alguns planos nossos sejam frustrados, somos capazes de sonhar mais, de acreditar mais, de amar mais e de nos lançar nos braços de Papai. 

Deus quer nos fazer crescer. Quer nos fazer humildes, quer nos fazer fortes. Quer trazer ao prostrado, forças para se levantar. Quer derrubar o orgulhoso para lhe trazer humildade. Quer trazer um coração grato àquele que é indiferente. Quer dar coragem ao medroso, dar prudência ao destemido. Existem tantas cadeias a serem quebradas dentro de nós, afim de que possamos ser verdadeiramente livres.

Busque ao Jesus amado, pois é Nele que encontramos forças para continuar, e sabedoria para enfrentar o desconhecido. Se tudo estiver tão confuso que sequer consiga buscá-Lo, apenas lembre que Papai está com você e sempre estará, e que Ele tem planos e planos de bem ao teu respeito. Ele vai te acompanhar, colocar pessoas no teu caminho para te ajudar, vai torcer por você mais do que ninguém, e na chegada Ele vai estar lá, todo orgulhoso e vai te dizer: "Eu sabia que você conseguiria!"


Até a próxima ideia. 

Déa Accioly